segunda-feira, 21 de dezembro de 2009

Como tratar celulite

Como tratar celuliteSaiba como tratar a celulite.

Não há uma pesquisa formal que aponte números, mas os dermatologistas asseguram que nove em cada dez mulheres sofrem com os furinhos indesejáveis das celulites. Mas, antes de tudo, vale a pena saber qual é o mecanismo que gera esse problema quase insuportável para a ala feminina, já que nos homens a incidência é significativamente mais baixa.
Além de diversos fatores determinantes como altos níveis de hormônios, predisposição genética, retenção hídrica, há uma importante questão anatômica. “As mulheres acumulam mais gordura nas coxas e nádegas, coincidentemente são as regiões que a celulite aparece com mais frequência”, aponta a dermatologista Doris Hexsel, responsável pelo setor de cosmiatria do serviço de dermatologia da PUC do Rio Grande do Sul. “Nessas áreas, os septos fibrosos, que contêm a gordura subcutânea, funcionam como traves rígidas repuxando a pele para baixo, causando os furinhos ou lesões típicas das áreas afetadas, que caracterizam o aspecto acolchoado da celulite”, esclarece a médica. “Isso causa uma esclerose do tecido, alterando a sua forma”, complementa o dermatologista Jorge Mariz, do Rio de Janeiro. Conclusão: os furinhos ficam mais evidentes e profundos quando há aumento de volume dessas regiões, seja pelo ganho de peso ou por retenção de líquidos (problema que traz consigo o acúmulo de toxinas nos tecidos). Portanto, uma boa drenagem linfática e uma alta ingestão de líquidos podem funcionar como santos remédios nesse caso, além de um controle efetivo do peso. “O ganho do peso provoca o aumento das células gordurosas, que acentua o repuxamento das fibras”, justifica Jorge Mariz.

Derrubando mitos da celulite

O fato de a celulite estar diretamente relacionada ao sobrepeso não significa que pessoas magras não possam apresentar o problema. “Sem dúvida, as mulheres que já passaram da puberdade, que estão com uns quilinhos a mais ou obesas são mais propensas, mas as magras também podem apresentar o problema, justamente pela ação de outros fatores como carga genética, sedentarismo e anatomia”, destaca a dermatologista Doris Hexsel.

E por falar em sedentarismo, praticar atividades físicas reduz significativamente o mecanismo que provoca a celulite, isso não é lenda. “Os exercícios aceleram o metabolismo e melhoram a circulação local, garantindo assim um bom aporte sanguíneo, principalmente nos membros inferiores”, justifica o dermatologista Jorge Mariz.

Outro ponto importante a esclarecer é a alimentação. Não é mito o fato de que devemos ter cautela e pensar duas vezes antes de exagerar à mesa. Como tudo o que consumimos causa um efeito químico no organismo, essa transformação pode sim ter relação direta com a propensão a desenvolver celulite. “Excesso de açúcar leva à instabilidade hormonal e assim aumenta a insulina favorecendo a possibilidade de retenção de líquidos. Assim como gordura demais é prejudicial, pois fica incrustada nas regiões críticas, onde se forma a celulite”, justifica a dermatologista Denise Steiner.

O segredo é ter o controle do peso. “Qualquer alimento que favoreça o ganho de peso pode agravar a celulite”, resume Doris Hexsel. “Alguns itens como massa, pão, biscoitos, doce, refrigerante com açúcar, carne gorda e frituras, provocam uma espécie de inflamação nas células, que ficam impedidas de exercer suas funções naturalmente, como por exemplo, eliminar as toxinas. Com isso, o organismo responde com mais inflamação, levando ao inchaço e peso extra, que causam ou pioram a celulite”, esclarece Jorge Mariz. Portanto, não fica descartada a indicação de bons hábitos alimentares para quem tem propensão a esse tipo de alteração. Se alimentar bem, já é menos um fator “agregado” ao processo de desenvolvimento dos furinhos.

Como saber a intensidade do problema da celulite

Até pouco tempo atrás, a intensidade da celulite era medida por uma escala aparentemente simples, em que se classificava o problema em graus 0, 1, 2 e 3. Porém, uma nova escala foi criada para se ter mais precisão do nível de alteração: a “Cellulite Severity Scale”, desenvolvida pelas dermatologistas Doris Hexsel, Camile Hexsel e Taciana Dal Forno, de Porto Alegre. “Essa nova classificação avalia a celulite de forma mais objetiva, definindo com mais precisão os detalhes clínicos de cada paciente”, explica Doris. Nesse estudo, as médicas determinam cinco fatores importantes para serem analisados, são eles:

1 - Número e profundidade de depressões
2 - Aspecto das áreas elevadas da celulite (o nível de depressão dos furinhos)
3 - Presença de lesões elevadas (nódulos)
4 - Presença de flacidez
5 - Graus da antiga classificação

Os graus da celulite
Classificação clássica, de acordo com padrões internacionais, para se analisar os estágios da celulite:

Grau 0 - Não há alterações na superfície da pele
Grau 1 - A aparência da pele é lisa, mesmo que algum objeto esteja sobre ela. Porém ao beliscar ou contrair a região, os furinhos aparecem
Grau 2 - A área apresenta uma aparência semelhante a de uma casca de laranja, mesmo sem nenhuma contração muscular
Grau 3 - Tem as mesmas alterações descritas no grau 2, mas agravadas por áreas em relevo e nódulos

De acordo com essa classificação, cada item recebe um número de pontos de 0 a 3 e a soma total dos pontos vai mostrar se a celulite é leve (1 a 5 pontos), moderada (6 a 10 pontos) ou grave (11 ou mais pontos). “Além dessas definições, os itens que a paciente apresenta pontuação mais alta, mostram a característica que é mais relevante pra ela, podendo assim ter um tratamento bem específico”, aponta Doris Hexsel.

Tratamentos da celulite

A maioria dos tratamentos que estão em alta é feita por meio de aparelhos eletrônicos específicos para atingirem a raiz do problema, mas os especialistas são unânimes ao afirmarem que uma boa massagem manual, pode também ser uma grande aliada na luta contra a celulite, assim como procedimentos cirúrgicos que tratam o repuxamento das fibras, amenizando o problema. “Porém, antes da escolha é preciso que um dermatologista avalie o nível da celulite e as condições associadas como flacidez e gordura localizada, por exemplo, que variam dependendo do caso”, alerta Doris. Confira os tratamentos de celulites mais modernos:

Smoothshape: é o mais recente lançamento internacional e foi aprovado no Brasil pela Anvisa há um mês. Neste equipamento, o laser e a luz agem ao mesmo tempo, promovendo um aquecimento moderado da pele e da gordura subcutânea. Essa elevação da temperatura dissolve os lipídeos dos adipócitos (células de gordura), melhorando a circulação local e o estímulo de colágeno (fibra de sustentação da pele). A pressão dos rolos do equipamento sobre a pele e no tecido subcutâneo promove uma drenagem linfática, incrementando, assim, a remoção dos lipídios dissolvidos.

ThermageTM XP: recebeu recentemente a aprovação do FDA. É um aparelho não invasivo que utiliza energia de radiofrequência para aquecer o tecido subcutâneo, produzindo melhora na flacidez cutânea e celulite, principalmente da região das coxas e glúteos. O aparelho leva a danos térmicos induzidos por radiofrequência na derme e no colágeno da derme profunda (septos fibrosos). Dessa forma, promove a remodelação do colágeno levando à melhora visível na qualidade da pele e flacidez. Além disso, a remodelação do colágeno mais profundo permite a modelagem de contornos e melhora a aparência da celulite.

AccentTM: é um equipamento de radiofrequência que age nas células de gordura e micro-circulação cutânea. Apesar de ser indicado para tratamento do contorno corporal – pelo aquecimento da subderme, que causa desnaturação do colágeno e estimula sua regeneração – também auxilia no tratamento da flacidez e celulite, com resultados bem positivos.

Tripolar: é um aparelho de radiofrequência que aquece seletivamente as células de gordura nas camadas superficiais e também mais profundas, aumentando o metabolismo local e promovendo a eliminação da gordura, que se tornou líquida, portanto mais fácil de ser secretada. Sendo assim, atua diretamente na redução da gordura localizada e consequentemente na celulite.

Subcision®: não é recente, mas é considerado um método isolado de alta eficácia no tratamento dos furinhos. Trata-se de um procedimento cirúrgico, que consiste na ruptura das depressões ou “furinhos”, formados pelos septos fibrosos que tracionam a pele e formam o aspecto acolchoado. A ruptura é feita com uma agulha especial, sob anestesia local, que leva à formação de um novo tecido a partir de um hematoma, promovendo um preenchimento no local deprimido, eliminando as alterações do relevo típicas da celulite. Por se tratar de uma técnica cirúrgica, só pode ser realizada por um médico.

Drenagem linfática: impossível falar de celulite sem mencionar a velha e boa massagem manual, que tem como principal objetivo drenar os líquidos retidos, já que o acúmulo hídrico é um dos fatores que pioram consideravelmente o aspecto dos furinhos. Por meio de manobras feitas com as mãos, geralmente de uma esteticista, as toxinas e líquidos excedentes são direcionados para as linfas, vasos paralelos aos sanguíneos, que por sua vez são eliminados pela urina. (Veja como fazer uma autodrenagem em casa)

Dúvida cruel: os cosméticos funcionam mesmo?

Quem nunca se perguntou se aquele esforço todo que fazemos ao aplicar os cremes anticelulite é realmente eficiente contra os furinhos? Todas nós. A resposta positiva vai depender do grau de intensidade e quantidade dos furinhos, do tipo de cosmético usado e da capacidade de penetração do produto. “Os cremes específicos são úteis quando associados a outros tratamentos e geralmente são eficazes para os casos mais leves”, acredita Denise Steiner. “Na fase inicial da celulite, ou seja, ainda leve, os cremes agem aumentando a circulação sanguínea local e favorecendo a eliminação de toxinas, desde que haja água no organismo para facilitar a eliminação dessas toxinas. Já na fase em que as depressões começam a aparecer, não há resultados”, pondera o dermatologista Jorge Mariz, do Rio de Janeiro.


Em relação à penetração do cosmético, a indústria avançou bastante, já que os ativos precisam atravessar a pele e atingir as camadas de gordura. “Para isso alguns cosméticos ganharam moléculas muito menores e veículos que conseguem levar as substâncias ativas da fórmula até as células de gordura”, diz Doris Hexsel, de Porto Alegre. “Quando as moléculas são pequenas, penetram com facilidade na pele. Caso contrário, o veículo deve dispor de uma tecnologia de transporte, como os lipossomas ou ciclodextrinas, que permitem que o ativo alcance a célula-alvo”, explica a gerente de comunicação científica da Vichy Laboratoires, Beatriz Sant’Anna.

O modo de aplicar também tem influência. “Fazer uma massagem enquanto espalha o creme aumenta a circulação, facilitando a penetração dos componentes da fórmula. Se os movimentos forem de baixo para cima e em direção à virilha auxilia ainda mais a penetração”, ensina Doris, lembrando que é necessário pelo menos dois meses para que apareçam os resultados. “O momento mais adequado para aplicar os cosméticos é depois do banho, com a pele limpa. Os poros estão mais dilatados e a permeação é maior. Após os exercícios físicos também é indicado, por conta da alta circulação sanguínea”, complementa Beatriz. Na hora de comprar, é bom verificar se o produto contém cafeína e rutina (que têm ação lipolítica), substâncias que favorecem sua penetração na pele (lipossomas ou ciclodextrinas), além, é claro, da aprovação da Anvisa.

Fonte: UOL

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